sexta-feira, janeiro 18
sábado, janeiro 5
maior que a imagem
a safra de final de ano rendeu bastante alimento pra cabeça desta que vos rabisca.
um dos acepipes é o só numa multidão de amores, biografia da atormentada maysa lançada pelo jornalista cearense lira neto em meados do ano que expirou, e que eu, confessa apaixonada por histórias reais, tava há horas namorando.
além do fato de ser a autora e intérprete da antológica fundo-do-poço meu mundo caiu (cuja primeira gravação, aliás, completa 50 anos agora em 2008), eu sabia quase nada sobre a soberana da fossa. e sempre que ouvia falar sobre ela, duas únicas imagens me vinham à cabeça: os inconfundíveis olhões verdes e a macabra brasília azul toda retorcida sobre a ponte rio-niterói, resultado do acidente que a matou no início de 1977.
tá, também sabia que era dela a (pelo menos pra mim) versão definitiva de 'ne me quitte pas', mas não muito mais que isso. então, motivada pela leitura, fucei a web atrás de vídeos e quejandos, e acabei descobrindo o número que segue:
implico com aquela base de repertório bregadarkpassional da finada, mas depois de devorar o livro, e vê-la cerrando os dentes enquanto vomita a dor da canção de jacques brel, começo a desconfiar de que ela era mais, muito mais que um belo par de olhos e a maluca etílica que cortou os pulsos incontáveis vezes antes de se espatifar a caminho da então desabitada maricá. baita figura essa maysa, viu? baita figura.
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mimi aragón
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18:20
5
aduba aí.
isso tem que ter fim
mui bela e oportuna a campanha lançada pela rbs pra combater a violência no trânsito. acerta em cheio essa gurizada que enche a cara e sai a zunir rua e estrada afora com seus autinhos e motinhas potentes.
mas teima em ser berrada uma perguntinha incômoda: estaria o responsabilíssimo conglomerado dos sirotsky disposto a renunciar aos anúncios de montadoras e revendas de bólides, em nome da redução de acidentes?
yep, porque só os ignorantes, míopes e mal-intencionados não relacionam o torra-torra irracional de veículos automotores ao aumento insuportável das ocorrências, fatais ou não, de trânsito. as pessoas não têm casa, mas têm carro. e carro, como se sabe, é arma voraz nas mãos de quem não reúne equilíbrio suficiente pra guiá-lo.
precisa nem ser muito esperto pra juntar lé com cré: quanto mais condutores afoitos, despreparados e inexperientes circularem pela tupinilândia, mais incharão as estatísticas da carnificina motorizada. fundamentalmente num país em que a fiscalização ou inexiste ou é vaptvuptmente corrompida, a educação é pífia e os investimentos que poderiam qualificar as malhas viária e rodoviária vão parar em obscuros cuecões.
eu aposto a carteira de habilitação que jamais cobicei que se a sanha da indústria automobilística fosse minimamente aplacada, o número de acidentes despencaria num estalar de dedos.
e aí, rede brasil sul, que tal contribuir de verdade pra civilizar o trânsito?
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mimi aragón
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16:47
5
aduba aí.
quarta-feira, dezembro 19
gabba gabba hey, véia do bazar!
riram a valer de mim no indefectível almoço de final de ano da firma. mas é a mais cristalina verdade:
tive certeza de que tô envelhecendo a olhos vistos quando percebi que deixei de gastar meus caraminguás em loucas noitadas, tragoléus e afins e passei a investir, com inegável prazer, em lençoizinhos de malha, macias fronhas, loiças coloridas, talheres estilosos, panelas de ferro, copos e taças retrô e outros petrechos domésticos.
ALERTA AMARELO: se eu começar a assinar revistas de bordado e crochê, ou desenvolver um súbito gosto por bibelôs de biscuit, não hesitem em me internar num bom pub. e só me resgatem de lá depois de estarem convictos de que eu limpei os estoques de geladas embalada por tonitruantes petardos de punk rock.
ou será que serramalte e três acordes toscos também viraram peça de museu?
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mimi aragón
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17:26
8
aduba aí.
segunda-feira, dezembro 17
a grandeza não é pra qualquer um
nhé! tá na vocação e no talento a clara diferença entre nós, os celestes campeões imortais, e eles, os pernetas vermelhos do aterro.
o herói supremo do nosso título mundial é o renato portaluppi, gênio da bola, ex-craque da seleção, técnico vencedor - segue firme no fluminense, campeão da copa do brasil deste ano e quarto colocado no brasileirão - ídolo eterno da nação tricolor.
o deles, coitados, é o gabiru, zero à esquerda rejeitado até pra festinha que tenta ressuscitar aquele golpe de sorte do ano passado.
a prova da insignificância é o anúncio do timinho publicado hoje no zero hora: não tem uma só foto do perna-de-pau que fez o gol salvador, mas logo foi descartado pra ir enganar no desnutrido sport, 14º no campeonato brasileiro deste ano. baita injustiça! que, afinal, a nulidade do sujeito combina em tudo com a história cocolorada.
é, enquanto eles enchem a boca pra dizer fifa - sim, sim, aquela instituição que desautorizou publicamente o uso de seu nome nos neons do chiqueirão... -, nós, únicos bicampeões da libertadores na região sul, seguimos sendo infinitamente superiores a eles. em tudo, em todos os tempos.
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mimi aragón
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11:37
0
aduba aí.
domingo, dezembro 16
sexta-feira, dezembro 14
esfolando as pick ups aqui de casa
atende pelo nome de onde brilhem os olhos seus o primeiro cd solo da vozinha mais cutecute do pop nacional.
toda a catega do repertório da nara leão agora arejada pelo modo john de arranjar e takai de cantar. e que outra insuspeitada dupla caberia feito luva nesse projeto?
tá esperando o que pra arrombar o cofrinho, meu bem?
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mimi aragón
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15:47
4
aduba aí.
quinta-feira, dezembro 13
fome, fasma e foda com falta de bufunfa
viver com pouca grana, em qualquer parte do mundo, faz do sujeito um criativo de primeira grandeza. pués 3 efes, que estreou semana passada com um sistema de distribuição e exibição bem arrojado, é pobre mas limpinho - e é disparado o melhor filme do gerbase (que me perdoem os entusiastas do longínquo verdes anos).
o orçamento magro grita na tela (mas tenho pra mim que uma boa história sempre é mais saborosa se vem de uma boca desdentada) e respinga no recrutamento de um elenco irregular. entre veteranos e debutantes, o desempenho do craque leonardo machado é anêmico, enquanto a ana maria mainieri parece tri à vontade no papel de amiga de programa. e a cena que mostra a tia e a sobrinha ensaiando gemidos pra engambelar a clientela é de dar barrigadas.
ainda não assistiu o filme? veja djá, que tá facinho de conferir.
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mimi aragón
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10:22
0
aduba aí.
quarta-feira, dezembro 12
a redenção do colesterol
fui almoçar com mamã lá pros lados da praça da matriz, em volta da qual, pra quem não é local, se assentam as sedes gaúchas dos três poderes. reduto, pois, de toda sorte de matreiros.
mandando ver num pratarrão de carnes mis estava um conhecido político, candidato recorrente a prefeito e, acho, governador, pelo partido verde.
deve ser cegueira minha, mas sempre imaginei que as gentes do pv eram adeptas do veganismo. ou me enganei, ou o homenzinho ora chafurda gostosamente na bendita proteína animal.
seja como for, num país em que o presidente-operário hoje se proclama centrista, não há mal algum em um greenglutão trocar o tofu por uma picanha sangrenta. ou há?
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mimi aragón
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20:18
0
aduba aí.
relaxaí, jodie foster!
44 anos vivendo trancado, folheando revistas bem longe dos olhos da eterna noiva, freqüentando chats de putaria entre iguais. ‘é hoje’, pensou, enquanto manobrava o carro pra fora da garagem. ‘é hoje que eu saio do armário’. e um sorrisinho bobo lhe rasgou a boca. e um súbito arrepio ordenou a todos os pêlos do corpo na meia-idade: ‘em pé, seus moleirões!’.
ele não sabia bem por quê, mas tinha decidido que naquele dia, o tão esperado dia da parada gay, finalmente assumiria o que não tinha sossego, nem nunca teria.
só não contava com o engarrafamento na principal via de acesso ao parque. precisava alcançar a alegre romaria rápido, porque a coragem poderia se esvair ou, quem sabe, a multidão colorida se dispersaria antes que ele conseguisse vaga pra estacionar. e então tudo estaria perdido.
depois de 24 minutos mergulhado na tranqueira, parou na última sinaleira antes da rua apinhada. segurou o rosto vermelho entre as mãos suadas, alisou a cabeleira gris e cometeu o erro fatal: olhou pra esquerda e identificou na calçada, prestes a atravessar a rua, a septuagenária professora primária. aquela vaca que, dezenas de anos atrás, tinha convocado pai e mãe pra denunciar a estranha amizade entre o primogênito semi-alfabetizado e o estranho efebo do colegial.
ali, no cruzamento, quase quatro décadas depois daquele dia, ele voltou a ser o garotinho pálido e quebradiço do colégio de padres. a velhota encarquilhada nem olhou pra ele. mas o coitado sentiu o mijo empapando as calças, o banco do carro, escorrendo pro tapete de borracha.
ato contínuo, pescou o telefone sobre o console quente e discou os oito números da besta. ‘hermínia, minha filha, vamos nos casar em um mês’. e assim foi. civil, religioso, pais, padrinhos, arroz e bolo. morreu seis meses depois, assassinado por um travesti bêbado incomodado com a concorrência.
moral da história: do jeito que anda o trânsito, na hora de bater ponto num compromisso importante é melhor deixar o carro em casa e ir a pé. ou: bem fez a jodie foster, que finalmente se desarmou.
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mimi aragón
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18:30
2
aduba aí.
segunda-feira, dezembro 10
me chama de krishna
embestei que queria meu cabelo azul.
comprei tonalizante e fiz a eva tascar a mistureba anil no meu côco, em casa mesmo.
25 minutos depois, tudo estava azul num raio de um metro à minha volta. box, cortina, tubos de xampu, sabonete, buchas e, principalmente, EU. com-ple-ta-men-te azul, da cabeça ao pés. até minhas unhas, docemente pintadas de renda um dia antes, ficaram ridiculamente azuis.
levei quase uma hora me esfregando vigorosamente com um esponjão áspero até voltar a ser branquela. só o que não ficou azul foi, adivinhem!, o meu cabelo. tonalizante, descobri tarde demais, não cobre direito as madeixas brancas que me atormentam a vaidade. inda mais se o tom for azul, que só vinga mesmo numa cabeleira previamente descolorida.
agora não sei se me matriculo na magno alves ou radicalizo num violento moicano.
malditas cãs.
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mimi aragón
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19:11
4
aduba aí.
ponto final
quem disse
que eu sei
onde fica o
fim da dor?
afundar é
pra poucos,
meu amor,
e quem volta
esquece o
caminho
se você quer
uma pista,
pergunte
pro enforcado,
aquele ali
na esquina
só ele sabe
onde é que
tudo termina.
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mimi aragón
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12:37
0
aduba aí.
quinta-feira, dezembro 6
cante com a vagem
pena de vida
(pedro luís)
eu assinei a pena de vida
sou a favor da pena de vida
se o sujeito cagou
pisou na bola
tem que resolver aqui nao pode sair fora
tem que encarar
e cara a cara
cortou o barato
paga caro
mas paga vivo
e vai correr, correr
correr,correr
e vai correr perigo
sabendo que comprou
uma carteira permanente de inimigo
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mimi aragón
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20:28
0
aduba aí.
horripilanças
luzinhas (piscantes ou não, multicoloridas, brancas, o que for). bonecros escalando sacadas. vermelhos, verdes e doirados à exaustão. guirlandas, sininhos e lacinhos. renas, peles, botas, veludos, rabanadas e nozes no natal tropical. hohohos. celulares tocando jingle bells. shopping centers. et cetera.
tô me metamorfoseando numa sujeita-olina ou esse frenesi de natal torra mesmo a paciência?
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mimi aragón
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18:06
4
aduba aí.
sexta-feira, novembro 30
quinta-feira, novembro 29
segunda-feira, novembro 26
de mãos dadas
não lembro muito bem como foi. eu era um toquinho, tinha uns 4 anos, no máximo. a maninha, ainda solteira, adorava brincar de mãe comigo e com a carol, as primeiras sobrinhas. então, numa tarde, eu fui com ela ao súper.
metida a adultinha, não quis me aboletar no carrinho: preferi ir no chão, de mão com aquela tia linda e engraçada e sempre cheia de novidades coloridas e modernas.
sei que a gente entrou num corredor, eu sempre grudada na mão dela, e ficamos (o que me pareceu) horas escolhendo alguma bobagem pra mim. dali a pouco, fui perguntar qualquer cousa pra ela e, quando olhei pra cima, não era mais a tia que segurava a minha mão: era uma mulher que eu nunca tinha visto na vida.
em pânico, me soltei da estranha e procurei a maninha, que tava no início do corredor, igualmente assustada, me catando com os olhos. corri pra ela e agarrei bem firme aquela mão familiar, pra não soltar tão cedo. até hoje não sei o que rolou. devo ter me distraído, destrambelhadinha desde pitoca, e trocado de mão sem perceber.
só o que restou daquela experiência foi a sensação apavorante que tive ao olhar pra cima e não reconhecer quem me segurava. uma tontura desagradável, o sangue congelado nas veias, o chão sumindo, o coração como que despencando no vácuo, trocando de lugar com o estômago embrulhado.
rigorosa e exatamente o que senti na quinta passada, dia 22, quando tocou o telefone e era a minha mãe com a surreal notícia de que a maninha tinha ido embora pra sempre, depois de não conseguir voltar da quarta parada cardíaca durante uma cirurgia de lipoaspiração em floripa, onde ela tinha se escondido há oito anos, depois de perder a filha tão amada.
o mundo parou ali pra minha cabeça rodar feito há 32 anos. na seqüência, vieram todas as cenas que ficaram gravadas da nossa relação nem sempre calma, mas cheia de passagens emocionantes e, na maioria da vezes, ternas e felizes.
numa noite quente do final de 1977, eu entrando de aia na nave da igreja santa terezinha, junto com a carol e a fernanda, no casamento da maninha com o caetano.
a minha boca aberta diante da sala de bagunça do primeiro apê deles, na descida da ramiro: toca-discos reluzentes, equalizadores, amplificadores, luzinhas piscantes, a maior coleção de vinis que eu já vi na vida, os inovadorérrimos videocassete betamax e o atari plugados na tevê, generosamente liberados pra nossa curiosidade infantil.
a maninha, aproveitando o sono pesado do caetano, pintando as unhas das mãos dele e depois dizendo 'ah, a acetona acabou e eu não posso sair pra comprar outra, porque tô tomando conta das gurias. vai lá na farmácia e compra tu mesmo, que eu tiro o esmalte pra ti. hahahahaha!'. e ele foi.
aquele natal em que eu e a carol ganhamos dos dois tios adorados uma barraca de brinquedo que virou nosso refúgio favorito.
todos os natais na casa da minha vó, quando eles chegavam lotados de sorrisos e pacotes brilhantes pra todo mundo.
eu furiosa, uma criancinha indomável que, quando contrariada, me ajoelhava e batia a cabeça no chão, aos berros. até o dia em que ela repetiu o ritual, bem na minha frente, e eu pude ver o quanto aquilo era insano. e nunca, nunca mais desfilei com galos gigantes na testa.
eu dizendo pra ela, que sempre tinha palpite pra vida dos outros, meu primeiro 'vai à merda, pô!'.
ela na maternidade, toda babada com a tão desejada tetê no colo, depois de três sonhos precocemente interrompidos. e eu, que de tão emocionada, ‘fiquei mocinha’ exatamente naquele 20 de maio de 1983.
nós em alegre bando num comboio pra torres, no verão de 84: eu e o caetano na frente, de bugue amarelo lotado de traquitanas, e ela atrás, com a tetê, num voyage 0km entupido de felicidade.
naquele mesmo verão, as nossas lágrimas comovidas, ouvindo o que a gente imaginava serem as primeiras sílabas da tetê (que a maldita paralisia cerebral nunca permitiu que se transformassem em palavras inteiras).
eu indo dormir na casa deles e os jantares suculentos que a gente inventava com as sobras da geladeira.
ela me levando no colégio, com a tetê toda risonha na cadeirinha do banco de trás do auto.
o meu orgulho de dizer pros amigos que a minha tia já tinha faturado ‘uma porção de prêmios de propaganda, até aquele tal de profissionais do ano, sabem?’.
ela, em choque, abraçando o caixão do caetano, depois do acidente estúpido que nos arrancou aquele cara bonachão e pleno de vida. e que me roubou o tio que foi meu pai, quando o verdadeiro preferiu outros caminhos.
de novo em torres, no verão seguinte à perda do caetano, a maninha clicando o meu retrato mais bonito de todos os tempos.
ela, parceira e debochada, me levando pra noite - uma festa chamada 'calor na bacurinha', em que, pra honrar o mimoso mote, cada uma foi pra um lado com seu respectivo rapazola. fizemos misérias e, depois, morremos de rir contando os detalhes uma pra outra.
ela, guerreira e devotada, criando sozinha uma filha linda, doce e carinhosa, que não falava, não caminhava, não quase tudo.
eu abraçada nela, no velório da tetê, dizendo 'tu não tá sozinha, minha véia, todo mundo aqui e eu te amamos muito'.
em floripa, a gente tomando cerveja num dia ensolarado no campeche, e lamentando a partida da cássia eller.
eu e a eva num aniversário dela, toda felizona, rodeada de amigos fiéis e canecões de chope.
no hospital, com a vó milinha perdendo a batalha de 15 anos contra o alzheimer, ela nervosa, fazendo cena com a chegada da minha mãe, com quem a relação sempre foi problemática e instável. eu levantando a voz com ela e pedindo respeito pelos últimos dias de vida da vó. eu magoada e, covarde, sem fibra pra limpar os pratos.
o e-mail que recebi dela no meu aniversário deste ano, que dizia bem assim:
Oi, Mimoca, minha sombrinha.
Feliz Aniversário, queridona. Tudo de bom de tudo que é bom pra ti, minha véia, ops, minha jovem sobrinha. Rsssss. Não te vi online e pensei: como posso beijar a minha sobrinha querida?
Aceitas beijinho desta tia ausente, bipolar, esquisita? Que o teu dia seja lindo e que o universo conspire para que todos os teus desejos se realizem neste novo ano. Beijos na Eva. Se vierem pra cá ou por aqui me avisem. Tenho saudades das risadas.
Te adoro, viu?
Beijooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo
Maninha
e que eu, empedernidamente orgulhosa, não agradeci.
e agora esta ausência que não tem mais volta. e a raiva de mim mesma por não ter tido o peito e a humildade de dizer a tempo ‘ei, sua velha tia papuda ausente, bipolar e esquisita, a vida é curta, e é uma imbecilidade a gente perder tempo remoendo bostas. eu te amo, viu? te amo pra caralho!’.
apesar de não acreditar, tudo o que eu quero é que exista, sim, alguma cousa qualquer depois da vida. e que a maninha agora more numa estrela tão bonita quanto ela era. e, de lá, tenha a certeza de que eu vou sentir falta demais de segurar a mão dela.
fica bem aí, tia papuda, que, por aqui, a gente vai se virando.
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mimi aragón
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16:12
12
aduba aí.
sábado, novembro 17
it's enough to make one sick
não sou (muito) fresca, juro. só refugo mesmo quando o negócio é sangue, agulhas e quejandos, hospital e dor.
mas esse troço aqui me fez correr pro banheiro qual donzelinha ultrajada. oh, disgusting.
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mimi aragón
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10:57
6
aduba aí.
sexta-feira, novembro 16
ela que era triste riu
faz um tempo já. foi em setembro, rolava o porto alegre em cena.
fui tomar um café com a fernanda e ela me disse que conhecia quase nada do vitor ramil, tinha vontade de ouvir cousas do nosso barão de satolep. prometi que selecionaria o que eu considero a nata do cara e mandaria pra ela, que mora em berlim.
ouvi inteirinhos em seqüência, numa overdose, os álbuns que tenho aqui - tango, à beça, tambong (as duas versões, em português e espanhol) e longes - e pincei 30 canções. foi aí que a cousa tomou forma.
comecei a me sentir tristona da vida. chorava do nada, por nada. via criancinhas saindo do colégio de mão com as babás e desabava. passava na rua por carroceiros com cavalos raquíticos e me debulhava. ia nadar, planejava as cousas que tinha pra fazer durante a semana, almoçava, lia o jornal, via um comercial na tevê e pimba! lágrimas, soluços, peito apertado.
de onde vinha aquela tristeza toda? sabe lá. tava com as pílulas mágicas em dia, tudo certo, sem maiores angústias. sei que acabei desencanando, não ouvi mais nada do pelotense ilustre, e a misteriosa melancolia foi embora.
lesada, só há pouco me dei conta do que era (eu, que tenho meu palpite pra origem da tristeza crônica que abate a minha, a sua, a nossa geração).
fui tomar banho e programei o player pra tocar tambong no talo. no meio de valérie, ensaboando o lombo, comecei a chorar. assim, do nada. lágrimas grossas, pesadas.
sim, a origem da minha petit deprê é o vitor ramil. são aquelas harmonias de retalhar os pulsos. as melodias cruciantes. maldita estética do frio.
pior é que eu curto o cara. de verdade. vou pedir pro doutor felicidade um reforço na bupropiona. pffts! era só o que me faltava não poder mais ouvir o vitor.
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mimi aragón
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22:34
2
aduba aí.
terça-feira, novembro 13
cansou da comida de sempre?
estando no minho, e na mão, vá a'os telhadinhos.
(recebi do enorme c.a.t.)
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mimi aragón
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21:04
0
aduba aí.
quarta-feira, novembro 7
epidemia
diamante recolhido no monturo de lixo da tevê aberta:
a vida é uma doença sexualmente transmissível.
suíte:
tio aparício me repreende pela ignorância e desleixo: 'a frase é do ronald laing, bobinha. e tem um complemento imprescindível: 100% fatal. homem arrojado demais pro meu gosto, mas bom, esse laing'. então tá creditada a máxima, tio.
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mimi aragón
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11:59
2
aduba aí.
terça-feira, novembro 6
mais do mesmo do melhor
under the mountain, a golden fountain:
your former glories and all the stories:
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mimi aragón
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13:07
0
aduba aí.
segunda-feira, novembro 5
vaca azul vai me proteger enquanto eu andar distraída
anos 70, paralelo 30:
'mamanhê o que é cente, onde é que fica isso?', anseia a pequena vagenzinha.
'cente, filhote, como assim?', tenta clarear a consultada.
'cente, mamãe, cente. naquela música do sítio do pica-pau amarelo, o homenzinho canta: o sol NA CENTE é tão belooooo'...
a meninota também gostava de ouvir a avó conversando com as tias. e saía a repetir no colégio as expressões correntes em casa. ou quase:
'iolanda, tu não fez o tema? iiih... agora é tarde, inês é MARTA', papagaiava a precoce adoradora de frases feitas. sem, na verdade, entender o motivo da tal inês trocar de nome, e por que raios a cousa era tão trágica e definitiva.
os dias eram assim.
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mimi aragón
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23:37
6
aduba aí.
sexta-feira, novembro 2
bonde dos miolos entrevados
já repararam como a garotéia de hoje posa pra (toda e qualquer) foto diiishcontraííída? é fácil, são só dois estilões:
um
inspirados nos rappers, os marmanjos fazem cara de mauzão e exibem as patinhas dianteiras com indicadores e médios (às vezes também os polegares) horizontalmente estirados, abertos qual tesoura ávida.
outro
tocadas pelo espírito do funk periférico, as mocetonas capricham na expressão uiuiui e flexionam as pernocas, mãozinhas postas sobre os mocotós, empurrando as buzanfas pra trás no melhor estilo cachorra.
tem alguma cousa maligna desconhecida na água de beber ou será que foi mc'donalds demais e idéias próprias de menos?
e o que esperar do futuro, aijisuis? hordas e hordas fustigadas com bico-de-papagaio, apatia, artrite, alheamentos, fisgadas no ciático e toda a sorte de infelicidades ortopédicas e mentais. o apocalipse já começou.
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mimi aragón
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04:54
5
aduba aí.
quinta-feira, novembro 1
ortodoxo
o tio aparício é homem de curar dor de barriga com elixir paregórico. a maior concessão que ele faz à modernidade é escrever cartas semanais pra noiva octogenária, que mora em canguçu, numa olivetti lexicon 80.
dia desses, o sobrinho geek cismou de mostrar pro tio as maravilhas do last fm. foi soar o primeiro acorde de 'por una cabeza' e o troço desandou a mais carregar que tocar. rodava dois segundos, estacava cinco. lá pela quinta série de toca-pára, aparício perdeu a paciência:
- mas esse tal de bufferizando é pior que coito interrompido, che!
e foi fazer um escalda-pés no quarto de banho.
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mimi aragón
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23:21
3
aduba aí.
quinta-feira, outubro 25
e quem haveria de resistir?
quase me encrenquei em casa, mas digo e repito: com uma cute-cantada dessas, eu daria até pra um orangotango albino.
primeiro, a versão britânica, a mesma que roda aqui no brasil:
agora, a taiwanesa. o casal não é porreta como o do primeiro comercial, mas o chega-mais na finaleira é tão delicioso quanto um baita góldecocacól:
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mimi aragón
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19:21
3
aduba aí.
o terror das poltroninhas
senhores, eis algo de que muito me orgulho: não tenho carro, nunca terei, jamais me atraiu esta pequeneza d'alma. mentira... já fui mundana, sim: na adolescência, me via pilotando um veloz conversível na estrada que costeia a lagoa dos barros, ali logo que passa o pedágio da freeway, em osório. sonhozinho flor de provinciano, néam?
o lance é que (ufa!) muita coisa mudou desde que abandonei a pieguice juvenil (e não faz muito tempo, segundo as contas de mamã...). agora, me descubro caidinha por bicicletas, lotações, táxis e metrôs - nem tanto os ônibus, é verdade, especialmente no verão da sorridente capital... - e rosno pro mundaréu de carros que entope ruas e rodovias em todo canto.
nesta vibe de independência mecânica, também capricho nos muxoxos pra indústria automobilística, que a cada giro completo do planeta asmático em volta do sol despeja nos cruzamentos milhões de autinhos bestas, trocentos modelos diferentes, tudo com a primeira parcela só lá pra quando o teu filho que ainda nem nasceu completar 15 anos.
e desprezo os motoristas que trafegam solitários, cada qual egoisticamente aboletado em seu veiclinho reluzente.
e amaldiçôo as construtoras que erguem imóveis com dúzias de vagas na garagem pra cada proprietário.
e abomino as famílias em que cada integrante tem seu agente poluidor particular.
e perco as forças quando ouço falar que a terceira perimetral, cujos benefícios pro tráfego de porto alegre seriam relativamente duradouros, não tem nem cinco anos de uso e já tá parecendo a marginal pinheiros em dia de tempestade fodástica.
não tenho carro, e também não fiz filhos; depois de curada da puberdade, nunca pensei em tamanha deusmelivrice (e só agora me ocorre que gente como eu há de ser o pesadelo mais tenebroso de quem fabrica aquelas poltroninhas infantis pro banco traseiro dos autos).
falem o que quiserem desta capitã-caverna que vos escreve, mas jamais digam que minha jornada sobre a terra deixou qualquer rastro de carbono além do que constitui este corpinho alvo e roliço herdado de mamãe e papai.
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mimi aragón
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11:49
6
aduba aí.
terça-feira, outubro 23
segunda-feira, outubro 22
sábado, outubro 20
terça-feira, outubro 16
deckard & rachel
mais assustadoras que as previsões do cientista maluco são as próprias gentes: na hora em que li a matéria e conferi a enquete ('você acredita em relações amorosas entre humanos e robôs?'), mais de 47% dos votantes criam em ter coisinha com pedaços de lata.
das duas uma: ou os geekinhos são uns pândegos ou que medo eu tenho desses bichos de 32 dentes e 23 pares de cromossomos.
menos mal que quando a água doce acabar e for moda desposar máquinas, minhas mui humanas cinzas vão estar cansadas de repousar no sopé do morro do farol.
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mimi aragón
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13:09
2
aduba aí.
verprobios famesin
em rio que tem piranha ninguém mete a colher.
em briga de marido e mulher jacaré nada de costas.
a bom entendedor não se olham os dentes.
a cavalo dado meia palavra basta.
cão que ladra não move moinhos.
águas passadas não mordem.
quem não chora não teme.
quem não deve não mama.
a corda sempre arrebenta, mas não falha.
a justiça tarda do lado mais fraco.
cada louco no seu galho.
cada macaco com sua mania.
a mentira é boa conselheira.
a noite tem pernas curtas.
beleza pouca é bobagem.
desgraça não põe mesa.
a ocasião é inimiga da perfeição.
a pressa faz o ladrão.
de pequenino é que se vai ao milhão.
de tostão em tostão se torce o pepino.
a fome ensina a gemer.
a dor é o melhor tempero.
antes só do que nunca.
antes tarde do que mal acompanhado.
de boas intenções a galinha enche o papo.
de grão em grão o inferno está cheio.
há males que vem para um pé doente.
há sempre um chinelo velho para bem.
gato escaldado tem cem anos de perdão.
ladrão que rouba ladrão tem medo de água fria.
deixa estar, jacaré, que o santo é de barro.
devagar com o andor, que a lagoa há de secar.
o que os olhos não vêem o bicho não come.
o que é do homem o coração não sente.
depois da tempestade se vai ao longe.
devagar vem a bonança.
quem tem boca tem medo.
quem tem cu vai a roma.
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mimi aragón
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4
aduba aí.
segunda-feira, outubro 8
meu pódio
pois bem. por inacreditáveis dez pilas cada, enfileiramos 14 espetáculos no festival que acabou faz uma semana e pouco.
claro que tinha joio no trigo, sempre tem, neám. mas o trigo... aaaaahhh, delícia!
promessa cumprida: taí o meu ranking, em ordem crescente de belezura. há empates, que, como se sabe, a gostologia não é uma ciência exata. 
11º lugar: no me olvides
como disse uma amiga, o primeiro show sem bis que vi na vida. e não foi por falta de vontade do cantante... o villalba pode ser um grande produtor cultural, um puta amigão de artistas gaúchos genteboa, mas não canta um ovo. e olha que a orquestra velázquez era bem decente. foi show pro cabra-hermano pegar mulher, boba, sopra o tinhoso que mora aqui no meu ombro direito. maldade!
10º lugar: el camino a la meca
china zorrilla é só uma respeitável octogenária que ainda atua. uma boa atriz, é verdade, mas nem isso a tal pecinha soube explorar direito. espetaculozinho chato, muuuuito chato. deu tanto sono que um sujeito na mesma fila em que estávamos roncou o quanto quis. não vi elsa e fred, mas, por alá!, certamente é menos pior que o tal caminho pra meca. 
9º lugar: la divina
pois é. tinha tudo pra ser bom. o biño sauitzvy é um cara talentoso, o argumento prometia, o cenário era razoável, a música e a luz também. o nando messias, com quem tive o prazer de trabalhar no hitchcock ri, em 1999 e 2000, tava na jogada. mas foi um festival de deixas dramáticas desperdiçadas e a coreografia era tão já-vi-isso-antes que não deu nem pro início. pena.
8º lugar: crucial dois um
mais uma boa chance jogada fora. o gilson vargas, estreando no teatro, é um cineasta inteligente, o paulo scott, um escritor original pacas. o cenário e a luz faziam uma dobradinha pra lá de contemporânea. mas a boa impressão não resistiu à segunda cena. atores ruins (nervosos?), dicção horrenda, poder de convencimento zero. inda assim, saí da sala e tasquei três estrelinhas preles na ficha do júri popular do prêmio braskem. é teatro local, porra, eles merecem o reconhecimento. quem sabe reescolhendo o elenco, néam?
7º lugar: satolep sambatown
sou fãzoca do vitor e dou gritinhos de prazer com qualquer percussão bem executada. do marcos suzano, conheço muito pouco, e foi aí que a porca espiralou o rabo: fui ver os dois caras com uma puta expectativa, alimentada pelas declarações pré-show do vitor, de que a música dele passava longe do ritmo (harmonia rica é um prato cheio pra qualquer percussionista mais inspirado), e descubro que o suzano não é um ritmista no sentido exato da palavra e, pra mim, pouco acrescentou ao repertório do embaixador pelotense do frio (aliás, que penteadinho medonho, hein?). o que teve de melhor foi a canja da katia b e o vitor respondendo a um empolgado da platéia, que pediu 'ramilonga': 'nem pensar. esse é um capítulo encerrado da minha vida'. ufa, menos mal!
6º lugar: hoje é dia do amor
furor alegre na fila: texto porno-místico do joão silvério trevisan na boca de um sadomasoquista monologante. o risco era grande, mas podia ser bom. e era. menos o ator (ex-galã da malhação e das malditas chiquititas), cuja expressão vocal não convencia nem um cactus, embora tivesse um admirável condicionamento físico: mais de uma hora peladão (com os documentos contidos por CORRENTONAS de tamanho proporcional, se é que cs me entendem...), de joelhos, com os braços presos, não é pra qualquer macho. boas mesmo eram as referências religiosas (algo como 'o catolicismo é uma viadagem'. hahahaha!) e a derradeira frase: 'hoje é dia do amor, seus filhos da puta, e não vai ter final feliz porra nenhuma!'. mazá, iconoclastinha pintudo!
6º lugar: edmond
texto estranho, e a platéia ria-ria-ria das piadinhas racistas e homofóbicas. o protagonista, marco antônio pâmio, ganhou da APCA (associação paulista de críticos de arte) o prêmio de melhor ator, ano passado, pela performance e foi merecido: o cara é uma das melhores cousas da peça - que tem cenários inteligentes e seqüências quase cinematográficas. ainda dá pra melhorar bastante as passagens de cena, feitas pelo próprio elenco, que movimenta os painéis cenográficos pelo palco (claro que, nem de longe, se compara à proposta apurada e precisa do théâtre du soleil em les éphémères). no final, até dava pra perdoar as piadinhas de mau gosto: o personagem do pâmio termina preso, tascando uma bicotinha num puta negrão gostoso. yeah!
5º lugar: convergence 1.0
muito original o tal adrien mondot, com aquela gigante tapadeira translúcida na boca de cena, atrás da qual rola praticamente todo o espetáculo mezzo lúdico, mezzo techno. dá pra fazer pecinha boa brincando com bolas, bolinhas, bolões e softwares modernosos, sin jamás perder la ternura, viste cabrón? só acho que o cara precisa ser fodão de verdade numa aventura assim: não dá pra deixar as bolotas caírem, tem que treinar até doerem os bracinhos, meu filho! 
4º lugar: prêt-à-porter 9
teatro minimalista em estado puro. a turma do CPT, leia-se antunes filho, uma gurizada esperta, como não poderia deixar de ser, trouxe à sorridente capital um espetáculo despojado, ainda que pretensioso, no bom sentido. tudo muito econômico e simples, porque teatro de verdade também pode ser feijão-com-arroz, é só questão de acertar o tempero. e isto a boiada escaldada do mitológico diretor sabe fazer bem - ou 'toma pau' do hômi. aqui eles escaparam das chibatadas. melhor pra todo mundo.
4º lugar: a gaivota - tema para um conto curto
enrique diaz é um cara de sorte: tá sempre cercado de gente talentosa e destemida. num outro poa em cena eu conferi 'a paixão segundo gh', da clarice lispector, e chapei com a qualidade da direção dele e da atuação da mariana lima, baita atriz que divide as contas de casa (e mais outras cousas) com ele. nesta livre adaptação de um dos clássicos do deus tchékhov não foi diferente. loucura total aquela metapeça - apeçadentrodapeçadentrodapeça. e as personagens que mudam de atoratriz. e a leveza, mesmo quando a cousa pesa. e o humor. e tudo. gostei de novo da turma do diaz. gostei mesmo.
3º lugar: 4:48 psicosis
sarah kane, como diz a mesma amiga que lembrou do show sem bis, é aquilo: a mulher se matou, e isso diz quase tudo. os deprimidos crônicos, como yo, hão de concordar que há beleza no fim do precipício. 4:48 psicosis repousa exatamente lá. e é genial, mas nada tão down nesta montagem. a gente até chega a rir com a atuação da alejandra cortazzo, uma das mais incensadas da nova geração uruguaia (é, china, o tempo passa...). a atriz é tão tudo que até a sarah kane fica menos heavy. eu vi e dou fé.
3º lugar: crave
os menos afeitos fugiriam de quatro atores sentados o tempo todo, quase imóveis, despejando um texto dolorido como é este. fugiriam de um cenário básico, sobre o qual se projetam, o tempo inteiro, só imagens abstratas, uns fractais preguiçosos, pouco coloridinhos. fugiriam de uma trilha sonora tensa, densa, monocórdia. fugiriam de uma luz fixa, sem variações. fugiriam, por fim, de mais uma marretada da dramaturga-suicida. eu não fugi, e vi na montagem enxuta do argentino cristian drut, um dos melhores espetáculos de toda a minha vida. eu não fugi. ueba!
2º lugar: big in bombay
eu sabia nada sobre a coreógrafa argentina constanza macras quando li o recado da fernanda no orkut: 'vou a porto alegre fazer big in bombay. não sei onde vai ser, mas vai lá ver!' como não? esse puta talento que me escrevia esteve aqui ano passado, encarnando uma comovente lady grey by felipe hirsch (outro deus do teatro brasuca), e me ganhou na hora. então, nem pisquei antes de atravessar a sorridente capital, sem imaginar a maravilha que me esperava. voltei pra casa felizona da vida com a zorra que o pessoal da macras armou no palco. tipo refeição completa, sabe? tinha de um tudo: dança, teatro, música, vídeo, literatura, artes plásticas. reflexão contemporânea e bem humorada sobre o lixo da fama, e sobre o que é viver num mundo que parece uma cousa só, apesar dos muitos que somos. só deixei em segundo lugar porque concorrer com a turma da cartoucherie é covardia... quer saber? se a fernanda estiver no elenco ou a constanza macras na direção, é só se jogar que não tem erro. 
1º lugar: les éphémères
ulalá! o que dizer desta gente, mon pére? tudo parece tão óbvio e surrado diante da experiência inédita que eles nos ofereceram. o grande salão de jantar coletivo. os camarins expostos pra nos mostrar que a arte está ao alcance de todos que têm espírito livre e curioso. o espaço cênico chocantemente generoso. a simplicidade de quem está lá pra nos lembrar que teatro é um dos troços mais humanos que existem, rejeitando mesmo o glamour que costuma revestir o artista. a forma comovente de contar histórias, muitas. a riqueza de detalhes dos palcos móveis. o som de tudo. os pequenos enredos que, de tão comuns a quem nasce do homem, nublam os olhos logo de cara. a vida desfilou na nossa frente e eu estava lá pra guardar tudo isso bem direitinho aqui dentro. sou mais feliz por ter estado na cartoucherie do guaíba. sete horas e meia de dor na bunda e um encantamento que nunca, nunca, nunca vai se apagar. e eu ficaria mais o tempo todo lá.
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mimi aragón
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21:47
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quinta-feira, outubro 4
terça-feira, outubro 2
pra desgosto da chefona
tô preparando um ranking subjetivíssimo do poa em cena pra postar aqui. antes disso, não me güento dentro das calcinhas e preciso mostrar dois trechos do início do les éphémères que catei no youtube.
ao que tudo indica, a cena foi sorrateiramente captada por um porteño que desrespeitou o pedido da diretora pra não filmarem ou fotografarem o espetáculo.
feio, mas eu entendo a vontade do hermanito de dividir a maravilha com o resto do mundo. taí, então. pardon, mademoiselle mnouchkine!
excerto da primeira cena:
seqüência da primeira, com a juliana carneiro da cunha fazendo a mãe no alto da escada:
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mimi aragón
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17:46
0
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domingo, setembro 23
ashes to ashes
nunca fumou. naquele dia claro,
saiu de casa pra pedir cigarros e sumiu.
escondido de todos, ganhou o mundo.
anônimo numa terra sem dono.
quando os fósforos acabaram,
quis voltar, mas não conseguiu.
não que tivesse esquecido o caminho:
perdera o fôlego que jamais teve.
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mimi aragón
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13:50
2
aduba aí.
quarta-feira, setembro 19
poa em cena

(a foto é da fernanda chemale. o espetáculo, o pernambucano jandira, inspirado num poema do murilo mendes, queridão da titia aqui. não foi uma das 13 pecinhas que fui - e sigo indo - dar fé, mas a imagem é qualquécousa.)
quando terminar, com a estréia do théâtre du soleil entre nós, cucarachamericanos, eu volto e digo tudo.
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mimi aragón
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21:28
1 aduba aí.
domingo, junho 24
sexta-feira, junho 1
além dos aviões de carreira, cáspita!
tá explicada a típica eloqüência italiana...
respira fundo pra ligar
tinge a vida sem tinto
se pinta aquele lance
no ar, flutua noir
dissolve o brilho eterno
mente atenta, olho vivo
se pinta aquele lance
no ar, flutua noir
paira até no sítio santo
insana trip vai devagar
se pinta aquele lance
no ar, flutua noir
da urbe milenar
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mimi aragón
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13:39
4
aduba aí.










