domingo, maio 25

canta pra eles desabarem, angenor!


o mundo é um moinho

ainda é cedo amor
mal começaste a conhecer a vida
já anuncias a hora da partida
sem saber mesmo o rumo que irás tomar

preste atenção querida
embora saiba que estás resolvida
em cada esquina cai um pouco a tua vida
em pouco tempo não serás mais o que és

ouça-me bem amor
preste atenção, o mundo é um moinho
vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
vai reduzir as ilusões a pó

preste atenção querida
de cada amor tu herdarás só o cinismo
quando notares estás à beira do abismo
abismo que cavaste com teus pés


dedico este biscoito fino do cancioneiro nacional àquela turminha do saci, o mito perneta que usa vermelho e se acha o tal.

sim, senhores, eis o moinho! nada como uma empolgante seqüência de fragorosas derrotas pra estraçalhar a risível soberba que emana do aterro.

o fim começou: o leão jantou, o porco chafurdou nas sobras e o urubu deu cabo da carniça. virou poeira, a macacada. e assim será, como jamais deveria haver deixado de ser.

(perdão, cartola! eles agora entregaram a rapadura pro teu arqui-rival. mas não há de tardar a hora em que igualmente afrouxarão diante de nossos gloriosos escretes tricolores!).

sábado, maio 24

that's why i'm happy whistling


em condições normais, eu tranqüilamente não suportaria a hypada mallu magalhães (leia-a, por daniela arrais). tanto quanto não aturo johnny cash, bob dylan et assemelhados - e não me aperta que não vou confessar aqui de novo que eu também faço bleargh! pros bítols... ops.

enfim, como tenho me surpreendido amiúde com as cousas de que me tornei capaz ao longo do tempo, ouso dizer que são inegáveis os encantos da guria. e sequer cogito refutar tanto talento. ou o prezado acha mesmo que fazer com que folk et derivados não nos matem de tédio é obra de gente rala?

já virou trilha de comercial da (te esconjuro!) vivo, tudo indica que vai gastar de tanto tocar por aí, dar as caras direto na programação da campeã de audiência, quem sabe até virar tema de personagem bocó de folhetim, essas melecas todas. mas tomara que resista à superexposição pra virar gênio um dia. tomara!

pois que existem outras poderosas razões para que eu estime o bem da pequena fã de oiticica e warhol. há minutos, por exemplo, descobri que ela nasceu num 29 de agosto. e que faço eu neste dia, todo santo ano? rigorosamente o que é de praxe cumprir no dia anterior àquele em que se soma mais 8 mil 760 horas à existência: qualquer cousa, sei lá, o que pintar. agora entendi por que o pequeno prodígio parece so weird, so strange, but so lovely. ah, os virginianos...

sexta-feira, maio 23

de pais e esquecimentos

a stella mantém este blog pra não se esquecer do pai, que morreu quando ela era adolescente.

um dia, quando eu for grande, vou fazer um blog pra descobrir por que um pai se esquece das filhas desde que elas eram crianças.

que me perdoem os que desconhecem essa história: não vou contá-la aqui - pelo menos por ora.

é que hay momentos em que o esquecimento pesa muito mais do que deveria.

quinta-feira, maio 22

rumo ao bi

e o flu e o manchester, hein? dois dos maiores heróis gremistas mais uma vez mostraram que, na hora do vamovê, o sangue azul faz toda a diferença.

a imagem do renato depois do jogo, sentadão no gramado do maracanã, talvez meio incrédulo com a vitória sobre o são paulo, mas certamente relembrando suas façanhas como cracaço do imortal, em 1983, é comovente.

já a felicidade do anderson na conquista da copa dos campeões - ainda que a cor do uniforme dê um certo nojinho - é irmã daquela que ele viveu como gênio da mítica batalha dos aflitos.

se der flu e manchester na final do japão, a nação tricolor vai poder se sentir um bocadinho bicampeã, e antecipar um tanto da glória de papar mais um mundial.

porque todo gremista apaixonado não duvida de que faturar o bi planetário é só questão de tempo. e não vai demorar quase cem anos pra rolar, como aconteceu com outros pelaí.

pílulas paulistanas

• que crise na aviação civil, que barrinha de cereal o quê! o serviço de bordo da varig tá mesmo supimpa: comida quentinha e saborosa na ida e na volta. teve até feijão tropeiro e ambrosia doiradinha. e também poltronas confortáveis na econômica e vôos pontuais. nada como a bonança pós-tempestade. o alegado prejuízo da mãezona gol com a ex-gaúcha modelo tá fazendo a alegria dos viajantes.

• considerando que muderrrno que se preze gosta mesmo é de quinquilharia, não é à toa que a feira da benedito calixto bomba todo sábado. entre mil outras maravilhas, a banca de brinquedos dantanho deixa indócil qualquer criança de 36 anos. e o almoço no consulado mineiro enche olhos e buchos garbosamente.

• minha amável anfitriã mora há mais de uma década na maior cidade da américa do sul. mas, incompreensivelmente, não foi capaz de achar o ccbb pra gente se esbaldar na estréia local da mais recente montagem da sutil, não sobre o amor. paciência e plano b: terminamos no municipal, na platéia de o castelo do barba-azul, que, a exemplo da peça perdida, tem direção (cênica) do felipe hirsch e cenografia da daniela thomas. pra mim, 100% ignorante no quesito ópera, um desbunde o olhar contemporâneo do felipe sobre o drama daquela bobinha da judith.

• segunda-feira, com a pinacoteca fechada, só me restou bater perna na josé paulino, donde recolhi mimosos suéteres de cashmere a ridículas 20 realetas. mais tarde, a indefectível passada no marukai, lá na liberdade, pra atrolhar a mochila com suvenires orientais, balas de coca-cola e salgadinhos de ervilha com wasabi. delícia de consumo.

• na terça, programa lúgubre-histórico, bem ao gosto desta escriba, parada nas cousas do dark side. queria ir ao cemitério do morumby, onde dorme ad eternum minha musíssima elis regina carvalho costa. como descobri que, mesmo estando na zona sul, era uma mão chegar até lá - e que o troço dá pinta de jardim da paz - me contentei em garimpar tumbas célebres na necrópole da consolação. dizem por aí que não se deve fazer o programa sem a ajuda de um bom guia, porque é difícil localizar sozinha as sepulturas. mais: na administração me informaram que não dava pra fotografar os monumentos sem autorização da prefa - que, segundo o funcionário, demoraria bem uma semana pra ser concedida. arram, tá bom. de cara, topei com a casa do velho monteiro lobato. depois, achei as de mário e oswald de andrade, mais a escultura do brecheret no túmulo da mecenas olívia guedes penteado. e me surpreendi com a singeleza das instalações post mortem da marquesa de santos: perto da mansão onde repousam os matarazzo, a domitila é favelada, coitada. se eu fiz fotos? morro, meu filho, mas não conto.

• em uma passeadinha pelo mercadão, peguei a estréia do pastel de camarão no hocca e fui seduzida pela simpatia do seu brás, da banca de frutas dragone (vai lá: rua K, box 23). experimentei gordas cerejas e me lambuzei todinha com uma sabrosura andina chamada cherimoya, "a mais deliciosa fruta conhecida pelo homem". meio fruta-do-conde, meio jaca (que, por sinal, abomino), o troço é cremoso e tão doce que lembra leite condensado. seu brás, louco pra cativar a cliente bissexta, me vendeu duas pela metade do preço. pechincha inesquecível.

• o melhor? ah, o melhor foi o pior. eu e daniela, ensonadas, engolindo o café-da-manhã em casa, quando chega branca, a faxineira desconcertante.

antes que houvesse tempo para qualquer apresentação, a secretária do lar aponta pra minha fuça, olha pra patroa e, impiedosa, me desmonta:

- é sua mãe, daniela?

a pergunta foi tão sem-noção que eu e minha filha emudecemos, chocadíssimas. porque ela tem dois anos a menos que eu, mas como é manda-chuva de um dos hotéis paulistanos pertencentes a uma puta rede internacional, tem shape e figurino de senhora respeitável. o que faria alguém normal suspeitar que ela é mais velha que moi.

e ainda precisei tolerar a sacanagem da minha amigona, que na noite anterior tinha inaugurado um novo tratamento anti-idade:

- quer comprar meu kit shiseido, mimi? eu já usei um pouquinho, mas tu viu como funciona, querida?

maldita branca. eu ainda acabo com ela.

quarta-feira, maio 21

oiça right now!

sonantes.

stop play moon.

não tem de quê.

domingo, maio 18

eles estão fora

terça-feira, maio 6

e porque fuligem pouca é bobagem...

segura que vou ali respirar um nico de chumbo e já volto.

sasquatch

- mas por que esses sneakers tão grandes, wandão?
- pra poguear melhor, bobinha.

segunda-feira, abril 28

pequenas empresas, grandes negócios

padaria inferno.

só aqui:
quentinho,
a toda hora,

o autêntico
pão que o
diabo amassou.

facilitamos:
pague fiado,
coma agora.

e, acredite,
tem gente que
nunca provou.

alea jacta est

só pra não morrer na praia, pulou n'água e nadou até alto-mar. não apagou, sequer afundou. teve foi uma puta cãibra.

domingo, abril 27

saco cheio

tá na edição de domingo do tablóide local:

'o cartunista e escritor ziraldo alves pinto (...) só perde a paciência quando indagado sobre a indenização de mais de R$ 1 milhão em razão de supostos prejuízos financeiros durante a ditadura militar:

- vocês já encheram o meu saco com isso. (...)'


encheram mesmo, né, ziraldo? aliás, quantos sacos dá pra abarrotar com o milhãozinho e duzentos dele, mais o do senhor sérgio de magalhães gomes jaguaribe, e as pensõezinhas vitalícias de R$ 4,3 mil mensais que os dois pobres velhinhos vão amealhar do tesouro nacional, além daquelas que já recebem - mui justamente, aliás - do inss?

preocupada com a sobrecarga desses dois ilustres septuagenários, andei matutando uma forma de ajudar os coitadinhos a aliviar tanto peso. quem sabe, então, eles doam os sacos tão cheios pras famílias de quem se fodeu de verdade com a ditadura?

a do vladimir herzog, por exemplo, foi indenizada com risíveis R$ 120 mil, há mais ou menos 30 anos. a do mário fiel filho levou a fortuna de R$ 100 mil. hoje, a viúva do operário paulista assassinado no doi-codi recebe R$ 500 por mês da previdência social. os moradores da região do araguaia que foram torturados, presos e, alguns, mortos pelos golpistas de 64 deverão receber, no máximo, R$ 100 mil cada. e lambam os dedos.

enquanto isso, na zona sul do rio, os prejudicadíssimos cartunistas douram suas sofridas peles sob o sol do leblon e matam a sede com scotchs legítimos.

o hoje desafeto millôr já sacou a dos dois vovôs malandrinhos:

'eu pensava que defendiam uma ideologia, mas estavam fazendo investimento'.

o ivan lessa lembrou que nos anos 70, quando a repressão corria solta, o pai da supermãe vendeu à caixa econômica federal a imagem do jeremias, o bom (uma de suas três dezenas de personagens, que lhe renderam muitos, mas muitos sacos cheios), pra uso nas campanhas da loteca.

a petição que circula pela rede, a ser enviada ao ministério da justiça, fulmina o que restava de dois ex-respeitáveis cidadãos perseguidos pela milicada:

'há que se registrar a cupidez vergonhosa de dois jornalistas do nível de ziraldo e jaguar, que encerram suas vidas profissionais desenhando em tinta marrom a charge da desmoralização de suas lutas e da degradação moral de suas biografias. transformaram em negócio o que pensávamos ter sido feito por dignidade pessoal e bravura cívica. receberam, por décadas, o nosso aplauso sincero. agora, por dinheiro, escarnecem de toda a cidadania, chocada e atônita com a revelação de suas verdadeiras personalidades e intenções.'

é, de saco cheio andamos nós, senhor ziraldo, que vamos sustentar mais uma vileza de quem a gente menos esperava. tô flicts de raiva.

quarta-feira, abril 23

onan

a trilha é de um comercial que leva na campeã de audiência. cousa pra promover o cedê de uma dessas bilontras que enriquecem cantando iurdices travestidas de gospel.

a letra diz:

"preciso da sua mão
vem me levantaaaar"
.

ok, eu não presto.

sexta-feira, abril 18

diversão lapidar, bicho!

e então foi a nostalgia que me fez pescar na prateleira da locadora, no finde passado, o devedê de rc e o diamante cor-de-rosa. assisti ao filme uma única vez, quando tinha idade só pra deglutir papinha, e, naturalmente, não lembrava quase nada sobre a película protagonizada pelo régio trio jovemguardiano na virada dos 60 pra década em que esta tenra leguminosa estreou no mercado.

bendita seja, pois, minha amiga de fé, irmã et camarada nostalgia que, se já me compeliu a derramar hectolitros de sentidas lágrimas vida afora, agora me chacoalhou as moléculas com violentas gargalhadas ao longo dos 97 minutos dessa gema rara da sétima arte nacional. tá, briguei um pouco com o controle de volume, porque o som do filme (a bem da verdade, como o de todos aqueles produzidos por aqui até os anos 90) põe a pessoa doente. mas saiba o prezado que o entretenimento vale o sobe e desce do vu meter, viu?

ok: o roteiro é das cousas mais estapafúrdias já produzidas por terráqueos - uma mistureba de orientais, gênios e roqueiros dantanho se estapeando por tóquio, jerusalém e rio de janeiro numa impagável caçada a um tesouro milenar. a canastrice do rei, do erasmo e da wandeca só surpreende aqueles que há pouco aprenderam a comer com garfo e faca. a maquiagem do patético japa que conduz a trama merecia virar estudo de caso da toscologia. e quem se importa com tanta precariedade quando se tem a chance de topar, logo na abertura da belezinha, com o mítico rc demolindo tudo nesse protoclipe musical (e dizer que o cara deu no que deu, hein?):



e se o punch do reizão cutuca o nosso ponto g, o momento não-posso-acreditar-no-que-meus-olhos-vêem só poderia pertencer ao tremendão, na que elegi a melhor (porque a mais sem-noção) cena do filme:



por fim, apesar de muitos jurarem que o top musical rola na finaleira da aventura, com o trio cantando é preciso saber viver (nem adianta procurar o fonograma, que o troço não existe) a bordo de um jipão que lambe o asfalto da niemeyer, a canção mais fodona de todo o filme não tem o carimbo de nenhum deles: é assinada pelo jorge ben e ouvida na voz da gal costa, numa seqüência igualmente antológica:



depois dessa redescoberta preciosérrima, ando com água na boca pra rever os outros dois filmes do roberto farias que provam que o rei já foi, sim, papo firme: rc em ritmo de aventura, aquele da célebre cruzada de helicóptero por dentro do túnel do pasmado, também no rio, e rc a 300km por hora, mais mela-cueca que os anteriores, mas não menos clássico.

oh, tantas alegrias naqueles velhos tempos, belos dias.

quinta-feira, abril 17

mardita

quarta-feira, abril 16

selvagem e burra bandeira

tava demorando. finalzinho de março, quando circulou a notícia de que a pequena isabella tinha morrido depois de ser jogada de um prédio em são paulo, antevi o óbvio: ‘em dois tempos vai ter gente a valer levantando mais uma vez a bandeira burra e obscura da pena de morte’.

tá, era fácil, mas não deu outra: começou o tenebroso bramir. são os trogloditas travestidos de justiceiros (inclusive alguns com espaços nobres na tevê e no mais afamado periódico local) defendendo a mais bárbara das punições ainda remanescentes entre nós, as gentes do 21º século depois da suposta passagem do barbudo messiânico pela face da terra.

prefiro nem entrar no mérito do julgamento antecipado (ou precipitado?), porque os indícios (eu escrevi i-n-d-í-c-i-o-s, e não p-r-o-v-a-s) contra o pai e a madrasta são mesmo cabeludérrimos. habitualmente afoita, muita gente boa da dita imprensa já os condenou e o carneirinho que atende pelo nome de opinião pública foi atrás. no entanto, nem o pavoroso serial killer que mora em mim consegue imaginar que motivo – fútil, doente, cruel – haveria para dar cabo da menina. inegável é que há fumaça ali, muita fumaça. and it stinks. mas nem por isso nos cabe vestir a toga do juiz.

agora, morte é morte, némês? nosso fim ordinário e implacável, por mais que os movidos por qualquer crença queiram nos convencer de nobres significados místico-transcendentais. o ente cai duro e acabou – sem mais joie de vivre, mas também sem mais sofrimentos terrenos; esgota-se a vida, e isto é uma bela merda, mas e daí? investir uma autoridade do poder de decidir sobre a morte de quem quer que seja não constitui homicídio fantasiado de justiça? institucionalizar o assassinato é solução aceitável? morrer pela mão do estado pune de verdade? quando um homicida filho-da-puta frita na cadeira elétrica, tem as entranhas esturricadas por veneno, o peito aberto a tiros ou a cervical partida na forca, sua incalculável dívida está mesmo quitada?

pra esta reles blogueirazinha, não importa o quão bárbaro tenha sido um crime, é sempre fácil e brando demais pagar por ele com a vida. o sujeito vai lá, massacra um pobre coitado e ganha de presente a imolação oficial, a forma de justiça mais primitiva e grotesca que há: a do olho por olho, dente por dente – aquela que corta mão de larápio, incinera incendiário, tortura seqüestrador e viola estuprador, tudo com os cumprimentos dos selvagens cidadãos que legitimam o crime pelo crime, e ainda acham que assim combatem a violência. aí o facínora morre e pronto. não sofre um tiquinho só depois que a última onda elétrica lhe cruza os neurônios. pena capital, mais do que ignorância, primitivismo, cousa de involuídos, é absolvição da dívida. é perdão eterno. só não enxerga quem não quer - ou não consegue.

e no brasil? tanto pior, meu filho, que neste torrão a justiça é frágil e caolha. até as alfaces da ceasa estão murchas de saber que somos craques em condenar, preferencialmente, não-brancos e não-ricos, já que o que dá as cartas no patropi é a lei da bufunfa. o que não falta por aqui é magistrado corrupto, erro judiciário, ladrão de galinha encarcerado e tubarão solto.

hum, capto daí um pensamento: vossa mercê esbraveja contra a pena de morte porque nunca teve alguém do seu afeto sangrado por um animal desses. e eu respondo: é verdade, jamais fui alcançada por tamanha tragédia (tóc, tóc, tóc, bato na madeira). mas juro pelos meus dentes sem cáries que se algum dia (tóc, tóc, tóc, one more time, só pra garantir) essa mão lazarenta me tocar, estou pronta a controlar meu impulso (natural, pois que humano, demasiado humano) de carnear o desinfeliz com minha própria katana, porque de fato acredito que é impossível consertar violência com violência, que não se faz justiça com sangue. isto é cousa pra selvagens, montéquios e capuletos.

e qual é, então, a minha receita pra condenar um assassino repugnante? simples: põe-se o miserento a mofar na cadeia. é, prisão perpétua nele. e como nada sai de graça nesta vida, que o atroz trabalhe seis dias por semana - como a maioria de nós o faz - oito ou mais horas diárias lidando pesado, amóde custear sua estada vitalícia no xilindró. isto sim, e não a forca, é justiça da boa. ah, faltam presídios no brasil? pois que se plante a militarada toda a erguer masmorras seguras país afora. são todos jovens, fortes e bem alimentados, podem perfeitamente cumprir esse papel de inestimável valor penal e social.

que pena de morte, repito, não é castigo, é redenção. e quem defende essa burrice colossal, das duas uma: ou goza de poucas luzes ou é tão assassino quanto o réu.

segunda-feira, abril 14

dia de fúria

era um brasileiro bem-nascido. como fosse pouco, desde seu primeiro choro a família empenhou uma bagalhoça para tatuá-lo com princípios e modos irretocáveis.

passou metade da vida repetindo 'obrigado', 'o senhor me deu dinheiro a mais', 'com licença', 'ei, gerente, achei esta comanda em branco no chão', 'não tem de quê', 'vim devolver sua valise', 'bom dia', 'obrigado, não preciso comprar uma monografia pronta', 'por favor', 'tenha a bondade de passar na minha frente', 'não insista, não vou aceitar seu dinheiro' e demais obviedades da vida civilizada.

mas toda vez que se comportava qual gente, seus semelhantes lhe dirigiam olhares assombrados. assim como se o sujeito não fosse homem, mas um etê gosmento, aedes aegypt XXL, bacillus anthracis vertebrado, bichum estranhum emergindo do pântano de descortesia e gatunagem banalizadas na terra brasilis.

chegou um dia em que a índole desabou. havia sol e algum frio. depois de devolver o celular encontrado no banco de um táxi, correu atrás de uma velhinha numa rua do centro da cidade e zapt!: navalhou a bolsa da desprecavida. riu alto. e ninguém gritou nem 'pega ladrão!'. foi a glória.

segunda-feira, março 31

anticisne

na negra correnteza
dos sonhos abortados,
o mais feroz é aquele
que se quis pesadelo,
mas veio assim, belo.

apartados no parto

quinta-feira, março 27

sábia símia

mamãe, macaca histó(é)rica, me liga no final da noite de ontem, logo depois que os reservas imortais patrolaram os amarelos de campo bom (e não me venham com o trololó de que o pobre cusco já tinha batido as patinhas):

- o grêmio reduziu o 15 de novembro a 2 de novembro...

c'est ma mère, a única cocolorada que eu amo com toda a força do meu coraçãozinho celeste.

(ah, sim: foi mesmo antológico o gol que o ex-macaco-revelação aplicou na suecada. mas vê bem a cor da camisa que ele tava usando, néam.)