segunda-feira, outubro 8

meu pódio

pois bem. por inacreditáveis dez pilas cada, enfileiramos 14 espetáculos no festival que acabou faz uma semana e pouco.

claro que tinha joio no trigo, sempre tem, neám. mas o trigo... aaaaahhh, delícia!

promessa cumprida: taí o meu ranking, em ordem crescente de belezura. há empates, que, como se sabe, a gostologia não é uma ciência exata.


11º lugar: no me olvides
como disse uma amiga, o primeiro show sem bis que vi na vida. e não foi por falta de vontade do cantante... o villalba pode ser um grande produtor cultural, um puta amigão de artistas gaúchos genteboa, mas não canta um ovo. e olha que a orquestra velázquez era bem decente. foi show pro cabra-hermano pegar mulher, boba, sopra o tinhoso que mora aqui no meu ombro direito. maldade!


10º lugar: el camino a la meca
china zorrilla é só uma respeitável octogenária que ainda atua. uma boa atriz, é verdade, mas nem isso a tal pecinha soube explorar direito. espetaculozinho chato, muuuuito chato. deu tanto sono que um sujeito na mesma fila em que estávamos roncou o quanto quis. não vi elsa e fred, mas, por alá!, certamente é menos pior que o tal caminho pra meca.


9º lugar: la divina
pois é. tinha tudo pra ser bom. o biño sauitzvy é um cara talentoso, o argumento prometia, o cenário era razoável, a música e a luz também. o nando messias, com quem tive o prazer de trabalhar no hitchcock ri, em 1999 e 2000, tava na jogada. mas foi um festival de deixas dramáticas desperdiçadas e a coreografia era tão já-vi-isso-antes que não deu nem pro início. pena.


8º lugar: crucial dois um
mais uma boa chance jogada fora. o gilson vargas, estreando no teatro, é um cineasta inteligente, o paulo scott, um escritor original pacas. o cenário e a luz faziam uma dobradinha pra lá de contemporânea. mas a boa impressão não resistiu à segunda cena. atores ruins (nervosos?), dicção horrenda, poder de convencimento zero. inda assim, saí da sala e tasquei três estrelinhas preles na ficha do júri popular do prêmio braskem. é teatro local, porra, eles merecem o reconhecimento. quem sabe reescolhendo o elenco, néam?


7º lugar: satolep sambatown
sou fãzoca do vitor e dou gritinhos de prazer com qualquer percussão bem executada. do marcos suzano, conheço muito pouco, e foi aí que a porca espiralou o rabo: fui ver os dois caras com uma puta expectativa, alimentada pelas declarações pré-show do vitor, de que a música dele passava longe do ritmo (harmonia rica é um prato cheio pra qualquer percussionista mais inspirado), e descubro que o suzano não é um ritmista no sentido exato da palavra e, pra mim, pouco acrescentou ao repertório do embaixador pelotense do frio (aliás, que penteadinho medonho, hein?). o que teve de melhor foi a canja da katia b e o vitor respondendo a um empolgado da platéia, que pediu 'ramilonga': 'nem pensar. esse é um capítulo encerrado da minha vida'. ufa, menos mal!


6º lugar: hoje é dia do amor
furor alegre na fila: texto porno-místico do joão silvério trevisan na boca de um sadomasoquista monologante. o risco era grande, mas podia ser bom. e era. menos o ator (ex-galã da malhação e das malditas chiquititas), cuja expressão vocal não convencia nem um cactus, embora tivesse um admirável condicionamento físico: mais de uma hora peladão (com os documentos contidos por CORRENTONAS de tamanho proporcional, se é que cs me entendem...), de joelhos, com os braços presos, não é pra qualquer macho. boas mesmo eram as referências religiosas (algo como 'o catolicismo é uma viadagem'. hahahaha!) e a derradeira frase: 'hoje é dia do amor, seus filhos da puta, e não vai ter final feliz porra nenhuma!'. mazá, iconoclastinha pintudo!


6º lugar: edmond
texto estranho, e a platéia ria-ria-ria das piadinhas racistas e homofóbicas. o protagonista, marco antônio pâmio, ganhou da APCA (associação paulista de críticos de arte) o prêmio de melhor ator, ano passado, pela performance e foi merecido: o cara é uma das melhores cousas da peça - que tem cenários inteligentes e seqüências quase cinematográficas. ainda dá pra melhorar bastante as passagens de cena, feitas pelo próprio elenco, que movimenta os painéis cenográficos pelo palco (claro que, nem de longe, se compara à proposta apurada e precisa do théâtre du soleil em les éphémères). no final, até dava pra perdoar as piadinhas de mau gosto: o personagem do pâmio termina preso, tascando uma bicotinha num puta negrão gostoso. yeah!


5º lugar: convergence 1.0
muito original o tal adrien mondot, com aquela gigante tapadeira translúcida na boca de cena, atrás da qual rola praticamente todo o espetáculo mezzo lúdico, mezzo techno. dá pra fazer pecinha boa brincando com bolas, bolinhas, bolões e softwares modernosos, sin jamás perder la ternura, viste cabrón? só acho que o cara precisa ser fodão de verdade numa aventura assim: não dá pra deixar as bolotas caírem, tem que treinar até doerem os bracinhos, meu filho!


4º lugar: prêt-à-porter 9
teatro minimalista em estado puro. a turma do CPT, leia-se antunes filho, uma gurizada esperta, como não poderia deixar de ser, trouxe à sorridente capital um espetáculo despojado, ainda que pretensioso, no bom sentido. tudo muito econômico e simples, porque teatro de verdade também pode ser feijão-com-arroz, é só questão de acertar o tempero. e isto a boiada escaldada do mitológico diretor sabe fazer bem - ou 'toma pau' do hômi. aqui eles escaparam das chibatadas. melhor pra todo mundo.


4º lugar: a gaivota - tema para um conto curto
enrique diaz é um cara de sorte: tá sempre cercado de gente talentosa e destemida. num outro poa em cena eu conferi 'a paixão segundo gh', da clarice lispector, e chapei com a qualidade da direção dele e da atuação da mariana lima, baita atriz que divide as contas de casa (e mais outras cousas) com ele. nesta livre adaptação de um dos clássicos do deus tchékhov não foi diferente. loucura total aquela metapeça - apeçadentrodapeçadentrodapeça. e as personagens que mudam de atoratriz. e a leveza, mesmo quando a cousa pesa. e o humor. e tudo. gostei de novo da turma do diaz. gostei mesmo.


3º lugar: 4:48 psicosis
sarah kane, como diz a mesma amiga que lembrou do show sem bis, é aquilo: a mulher se matou, e isso diz quase tudo. os deprimidos crônicos, como yo, hão de concordar que há beleza no fim do precipício. 4:48 psicosis repousa exatamente lá. e é genial, mas nada tão down nesta montagem. a gente até chega a rir com a atuação da alejandra cortazzo, uma das mais incensadas da nova geração uruguaia (é, china, o tempo passa...). a atriz é tão tudo que até a sarah kane fica menos heavy. eu vi e dou fé.


3º lugar: crave
os menos afeitos fugiriam de quatro atores sentados o tempo todo, quase imóveis, despejando um texto dolorido como é este. fugiriam de um cenário básico, sobre o qual se projetam, o tempo inteiro, só imagens abstratas, uns fractais preguiçosos, pouco coloridinhos. fugiriam de uma trilha sonora tensa, densa, monocórdia. fugiriam de uma luz fixa, sem variações. fugiriam, por fim, de mais uma marretada da dramaturga-suicida. eu não fugi, e vi na montagem enxuta do argentino cristian drut, um dos melhores espetáculos de toda a minha vida. eu não fugi. ueba!


2º lugar: big in bombay
eu sabia nada sobre a coreógrafa argentina constanza macras quando li o recado da fernanda no orkut: 'vou a porto alegre fazer big in bombay. não sei onde vai ser, mas vai lá ver!' como não? esse puta talento que me escrevia esteve aqui ano passado, encarnando uma comovente lady grey by felipe hirsch (outro deus do teatro brasuca), e me ganhou na hora. então, nem pisquei antes de atravessar a sorridente capital, sem imaginar a maravilha que me esperava. voltei pra casa felizona da vida com a zorra que o pessoal da macras armou no palco. tipo refeição completa, sabe? tinha de um tudo: dança, teatro, música, vídeo, literatura, artes plásticas. reflexão contemporânea e bem humorada sobre o lixo da fama, e sobre o que é viver num mundo que parece uma cousa só, apesar dos muitos que somos. só deixei em segundo lugar porque concorrer com a turma da cartoucherie é covardia... quer saber? se a fernanda estiver no elenco ou a constanza macras na direção, é só se jogar que não tem erro.


1º lugar: les éphémères
ulalá! o que dizer desta gente, mon pére? tudo parece tão óbvio e surrado diante da experiência inédita que eles nos ofereceram. o grande salão de jantar coletivo. os camarins expostos pra nos mostrar que a arte está ao alcance de todos que têm espírito livre e curioso. o espaço cênico chocantemente generoso. a simplicidade de quem está lá pra nos lembrar que teatro é um dos troços mais humanos que existem, rejeitando mesmo o glamour que costuma revestir o artista. a forma comovente de contar histórias, muitas. a riqueza de detalhes dos palcos móveis. o som de tudo. os pequenos enredos que, de tão comuns a quem nasce do homem, nublam os olhos logo de cara. a vida desfilou na nossa frente e eu estava lá pra guardar tudo isso bem direitinho aqui dentro. sou mais feliz por ter estado na cartoucherie do guaíba. sete horas e meia de dor na bunda e um encantamento que nunca, nunca, nunca vai se apagar. e eu ficaria mais o tempo todo lá.

quinta-feira, outubro 4

imagem e semelhança

(valeu, velhota!)

terça-feira, outubro 2

pra desgosto da chefona

tô preparando um ranking subjetivíssimo do poa em cena pra postar aqui. antes disso, não me güento dentro das calcinhas e preciso mostrar dois trechos do início do les éphémères que catei no youtube.

ao que tudo indica, a cena foi sorrateiramente captada por um porteño que desrespeitou o pedido da diretora pra não filmarem ou fotografarem o espetáculo.

feio, mas eu entendo a vontade do hermanito de dividir a maravilha com o resto do mundo. taí, então. pardon, mademoiselle mnouchkine!

excerto da primeira cena:


seqüência da primeira, com a juliana carneiro da cunha fazendo a mãe no alto da escada:

domingo, setembro 23

ashes to ashes

nunca fumou. naquele dia claro,
saiu de casa pra pedir cigarros e sumiu.
escondido de todos, ganhou o mundo.
anônimo numa terra sem dono.

quando os fósforos acabaram,
quis voltar, mas não conseguiu.
não que tivesse esquecido o caminho:
perdera o fôlego que jamais teve.

quarta-feira, setembro 19

poa em cena


(a foto é da fernanda chemale. o espetáculo, o pernambucano jandira, inspirado num poema do murilo mendes, queridão da titia aqui. não foi uma das 13 pecinhas que fui - e sigo indo - dar fé, mas a imagem é qualquécousa.)

quando terminar, com a estréia do théâtre du soleil entre nós, cucarachamericanos, eu volto e digo tudo.

domingo, junho 24

aaahhh, murchou!

sexta-feira, junho 1

além dos aviões de carreira, cáspita!

tá explicada a típica eloqüência italiana...

respira fundo pra ligar
tinge a vida sem tinto
se pinta aquele lance
no ar, flutua noir

dissolve o brilho eterno
mente atenta, olho vivo
se pinta aquele lance
no ar, flutua noir

paira até no sítio santo
insana trip vai devagar
se pinta aquele lance
no ar, flutua noir
da urbe milenar

sexta-feira, maio 18

isso aqui, ôô, é um pouqinho de brasil, iaiá!

– Alô senhora? (...) Eu quero uma quantia de 20 mil pra soltar ele daqui.
– Ai meu Deus, aonde eu vou arranjar isso? Nem trabalho eu não tenho.
– Quem tá com a senhora aí?
– Eu tô dentro de uma igreja.
– A senhora tá dentro da igreja?
– To, dentro da igreja. Eu limpo a igreja pra igreja.
– A senhora é cristã?
– Sou cristã.
– Olha só, a senhora me desculpa, tá? O que eu fiz com a senhora foi só um trote, tá bom?
– “Ahãm”.
– Senhora, a senhora tá escutando o que eu tô falando? Isso é um meio de eu arrumar dinheiro. Dar trote nas pessoas, tá bom?
– “Ahãm”. Cadê meu filho?
– O seu filho não tá aqui comigo não. Foi meu comparsa que entrou chorando e a senhora pensou que foi seu filho. A senhora no começo falou o nome dele. Falou Júlio e depois falou Bruno, não falou?
– Falei.
– Então, foi onde eu entrei dizendo que eu era seu filho. Que o seu filho tava aqui. Tá bom?
– Tá bom (chorando).
– A senhora vai orar por mim? Hein, senhora?
– Vou.
– Tá, fica com Deus.
– Obrigada.


trecho de matéria do jornal da globo de ontem, mostrando operação da polícia carioca no presídio evaristo de moraes, que teve origem no monitoramento de ligações telefônicas do já famoso golpe do seqüestro. quando percebeu que tentava lograr uma serva do senhor, o malandro cristão deu pra trás na falcatrua, por certo com medo do castigo divino, e inda pediu abença. sangue de jesus tem poder, merrmão!

aliás, praticamente um bloco inteiro da edição de ontem do jornalão plimplim foi dedicado à sacanagem institucionalizada que afunda o brasil. teve golpe do seqüestro, operação moeda verde,
operação navalha, toda sorte de sem-vergonhices e roubalheiras descaradas.

país do jeitinho? que nada! isso é cousa do passado, troço
de amador. nos profissionalizamos: agora, somos a nação do não dá nada, urruuu!, a menos que metam religião no meio. o edir macedo sabe o que faz.

quinta-feira, maio 17

imortal façanhudo

se não for difícil não tem graça, né, glorioso tricolor? pués que venham os hermanitos morrer no gramado do monumental. causo de que (ao contrário do co-irmão aquele, que toma goleada em pleno chiqueirão, na volta das férias) na nossa casa quem manda somos nós.

pô, pcc!

o marcola perdeu a oportunidade de virar herói quando não ordenou que os mano passassem fogo no gremlin de mitra. e olha que o velhote do mal até facilitou, escancarando a janela do papamóvel.

chemical divã

não foram as hiponcondríacas hipócritas, aquela banda que eu queria formar na adolescência, mas que gorou porque não apareceu uma só guitarrista disposta a tocar fantasiada de seringa de 5ml.

não foi a minha onipresente gaveta de primeiros socorros (porque estojo e caixa são cousas por demais acanhadas pra uma sujeita hiperbólica como yo).

não foi nem a anestesia geral que eu pedi pro médico me tascar naquela cirurgia de ouvido bem simplezinha, que dava pra fazer na boa só com uma tonteada superficial.

só fui descobrir o quanto eu sou hipocondríaca quando dimensionei a minha maluquice: se me soltarem numa farmácia com a carteira recheada, saio com um carrinho lotado de drogas interessantésimas, e nada de xampus, cremes, sabonetes e quejandos, como faria qualquer criatura normal.

será que existe um remedinho capaz de me curar disso?

bissexta

ausente, ma non troppo.

sábado, abril 21

a última do dia, prometo

o co-irmão tem toda a razão: há campeões do mundo e campeões do mundo.

IMORTAL TRICOLOR

quinta-feira, abril 19

quarta-feira, abril 18

lealdade não tem preço, fia!

morro pobre, mas não troco bons amigos por um punhado de moedas. palavra de gaúcha.

por que vagem?

causo de que a bichinha é esquisita e parece sem graça, mas lá dentro tem umas cousicas com surpreendente sustança, falei?

cante com a vagem

todo mundo tem algo a esconder exceto eu e meu macaco

(superguidis)

come on, come on
come on, come on
come on, it's shut a joy
come on, it's shut a joy
come on, take it easy
come on, take it easy
take it easy
take it easy
todo mundo tem algo a esconder exceto eu e meu...
macaco

the deeper you go, the higher you fly
the higher you fly, The deeper you go so come on
come on
come on, it's shut a joy
come on, it's shut a joy
come on, take it easy
come on, take it easy
take it easy
take it easy
todo mundo tem algo a esconder exceto eu e meu...
macaco

your inside it's out, your outside it's here
your outside it's here, your outside it's here so come on
come on
come on, it's shut a joy
come on, it's shut a joy
come on, take it easy
come on, take it easy
take it easy
take it easy
todo mundo tem algo a esconder exceto eu e meu...
macaco

sexta-feira, abril 13

bifê de vagem

* o felipe hirsch e a sutil estrearam em sampa educação sentimental do vampiro, primeiro espetáculo da companhia com texto de um brasuca, o craque da esquiva dalton trevisan. ficam em cartaz até meados de novembro - o que garante tempo de sobra aos mocorongos que governam o país pra darem um jeito na barafunda da aviação civil, móde a gente ir à paulicéia urrar com a genialidade da sutil.

pra esquentar as turbinas, vale mergulhar aqui ('existe uma resposta para tudo, menos para o milagre da vida, não é isso? e por isso os personagens de beckett olham pra cima, os de pinter pro lado, e os de dalton pra baixo.' bravo, felipe!).

* valhamedeus! existe cousa mais patética que (tentar) mudar de nome, depois de dééécadas de carreira morninha, mas honesta, com a desculpa de que isso facilita a vida nos estranja? o TOTONHO villeroy, que é um bom compositor, afinal, deveria seguir fazendo só música, e não bobagem.

* leio pelaí corajosas e honradas tentativas de persuadir os de bom gosto que a primogênita do xitãozinho-soberano-dos-mullets é (sonha ser?) uma cantora de catega. tsc, tsc, tsc... quem nasceu pra abre-a-porta-mariquinha! e fez carreira posando de mariah carey do sertão jamais chegará ao panteão dos gogós fenomenais. nem se cantar jazz e bossa nova com uma orquídea na mufa, cavalgando o cadáver do oiticica.

* foi o post do vexame anunciado. aos secadores descontentes com o mimo de 98 anos, digo que mantenho meine schadenfreude, ainda que, numa remotíssima chance, o tri da américa desabe sobre o celeste monumental no dia 24. pués que, antes disso, a sacizada vai ter que sustentar três de vantagem sobre el nacional. quaquaquac!

uooooohhhh! fiz merdinha: a mariah carey do sertão é filha do xororó, o outro entusiasta dos mullets. e xitãozinho é um pedacinho bem pequenininho de tecido barato e berrante, que o nome do esganiçado tio bregalhão se escreve com CH, bem assim: CHitãozinho. de resto, não corrijo um pingo no i do que disse: a sujeita é ruim, sim!

sábado, março 31

bucho é bucha, meus nêgo!

ontem, no barranco, enquanto eu e a nini, carnívoras comedidas, traçávamos nossos costumeiros e singelos meio-espetinhos de porco e boizinho:

- vou morrer sem entender as pessoas que babam por essa mantona de gordura da picanha - mandou a nini, extirpando a cousa banhuda da carne tenra e bem passadinha.

- também acho e vou além: morro e reencarno 36 vezes sem entender como é que tem tanta gente por aí que não só quase goza comendo peixe cru, como ainda consegue eleger aquela nojeira a comida mais sensacional do mundo - respondi, abocanhando um generoso naco do delicioso lombão - e ostras? há quem engula aquelas melecas ainda meio vivas, se mexendo e tudo... bleargh! bleargh! bleargh!

- ah, eu gosto de ostras, oras! -
respondeu a nini (e nem precisava, porque eu mesma vi, mortificada, a guria mandando ver num prato delas bem vivinhas no pântano do sul, no dia em que a cássia eller abotoou, anos atrás).

- pois eu continuo a anos-luz desse tipo de epifania gastronômica. mas tem pior, quer ver? mondongo! mondongo e o maldito mocotó são hors concours!

- bá, se são! a melhor coisa de ir morar na minha própria casa foi jamais precisar aturar de novo aquele fedor que empestava o ar lá na mãe nos finais de semana.

- eca! ainda bem que lá em casa nunca rolou disso. se a minha mãe, a vó e a daida um dia gostaram dessa abominação, tiveram a decência de jamais me contar, ou pelo menos de comer aquela porquice absoluta bem longe dos meus olhos. por que mondongo, vamos combinar, bate todos os recordes: o nome é medonho, a aparência é repulsiva, a origem é inconcebível, o cheiro é horrendo e o gosto, bom, o gosto não pode ser razoável, com toda aquela catinga -
concluí, imperadora absoluta do paladar infantil, dando a derradeira dentada na carninha doirada do amigo leitão.

mais tarde, no zaffari, passamos pelo corredor das doçuras e a nini bateu os olhos no que parecia impossível - um concorrente à altura pro odioso mondongo: geléia de mocotó sabor morango!

caaalma! antes de ser abatida a pauladas, aviso que eu sei que se trata só da gelatininha gosmenta do ossobuco. não importa: quase devolvi meu meio-espeto do nobre regente. voltei pra casa e fui dormir enjoada, de verdade, tentando descobrir que tipo de humano dá dinheiro por ignomínias assim. ô, raça!

quinta-feira, março 29

6 x 5 cousas

recrutada pela pinta, respondo e devolvo a missão pra ana f, carol, amiga planta e a cíntia (cadê teu blog, guria?):

5 coisas que eu quero fazer antes de morrer
viajar sem rumo e sem dia pra voltar
morar na vieira souto ou no meio do mato
não me preocupar com as contas pra pagar
arrasar num solo de bateria
trepar sem camisinha

5 coisas que eu faço bem
vagabundear
operar rolling machines
tomar banho
cozinhar pros do peito
gastar dinheiro

5 coisas que eu mais digo
ô, buceta!
ah, atende tu...
vamo embooora?
grêêêmio!
aumenta aí que eu não tô ouvindo!

5 coisas que eu não faço (ou não gosto de fazer)
usar relógio de pulso
sacanear quem quer que seja
pendurar e tirar roupa do varal
sorrir pra quem eu não gosto
usar maquiagem

5 coisas que me encantam
velhinhos
gente que joga lixo no lixo
van gogh
música boa
joelho de homem

5 coisas que eu odeio
temperatura acima de 20ºC
cigarro aceso
acordar cedo
exame de sangue e injeção
roupa apertada

segunda-feira, março 26

sacanagem institucionalizada

sorria! você está sendo enrabado...

domingo, março 25

em quem jogo ovinhos

que me perdoem os ufanistas da indústria dos pampas, mas tirando bib's, stick (que rebatizaram de 'stickadinho', coisa mais patética) e amor carioca (tá, talvez este aqui, que eu nem lembrava que existia), todo chocolate neugebauer parece que é produzido com água da pena, e não com leite do bom, como qualquer marca decente faz.

até o site dos caras é palha.

sexta-feira, março 16

apelo

(reproduzindo mensagem que enviei por e-mail)

pra quem não conhece, a anália foi minha colega nos tempos da radioativa e o paulo, com quem ela tem duas filhas, é um profissional talentosíssimo, dos melhores fotojornalistas que temos por aqui.

sei que se trata de um assunto delicado e que foge à nossa vontade e ao nosso controle, mas dá pra ajudar só retransmitindo o texto abaixo, que a anália enviou pra redação do zh.

Amigos!

Neste exato momento, um colega de vocês, de Zero Hora, o fotógrafo Paulo Franken, luta contra a morte. Precisa urgentemente da doação de um órgão - o fígado - para que continue a viver, a trabalhar, a conviver com a família e os amigos... e o tempo está escorrendo entre nossos dedos como areia.

Acompanho atentamente toda a programação dessa rede no que diz respeito a campanhas de doação de órgãos, e ninguém mais do que eu vê o quanto essa atitude é importante. Mas nesse momento, não sou mais ouvinte ou telespectador. Sou uma cidadã que clama por um gesto de desprendimento e humanidade.

O Paulo está sendo transferido hoje do CTI do Hospital Mâe de Deus para o CTI do Hospital Dom Vicente Scherer da Santa Casa, que é onde deverá acontecer o transplante, se um doador aparecer. Acontece que há 3 semanas não há registro de entrada de qualquer doação... o Paulo é o primeiro da lista de transplante hepático, dada a gravidade de seu caso...

Sei que todos os colegas e amigos se empenham em campanhas de doação de órgãos, mas é meu dever de mãe e esposa buscar todas as possibilidades e alternativas possíveis para que o Paulo continue a viver. E isso pode estar nas mãos de quem a gente menos espera...

Obrigada a todos.

Anália Köhler

quinta-feira, março 15

safe magic

imagem chupada (ups!) de um blog português sobre design e ergonomia. não vale por mil trepadas seguras? e dizer que ainda tem gente como a gente que se recusa a plastificar a frutona...

quarta-feira, março 14

cante com a vagem

blues da piedade

(roberto frejat/cazuza)

agora eu vou cantar pros miseráveis
que vagam pelo mundo derrotados
pra essas sementes mal plantadas
que já nascem com cara de abortadas

pras pessoas de alma bem pequena
remoendo pequenos problemas
querendo sempre aquilo que não têm

pra quem vê a luz
mas não ilumina suas minicertezas
vive contando dinheiro
e não muda quando é lua cheia

pra quem não sabe amar
fica esperando
alguém que caiba no seu sonho
como varizes que vão aumentando
como insetos em volta da lâmpada

vamos pedir piedade
senhor, piedade
pra essa gente careta e covarde
vamos pedir piedade
senhor, piedade
lhes dê grandeza e um pouco de coragem

quero cantar só para as pessoas fracas
que tão no mundo e perderam a viagem
quero cantar o blues
com o pastor e o bumbo na praça

vamos pedir piedade
pois há um incêncio sob a chuva rala
somos iguais em desgraça
vamos cantar o blues da piedade

vamos pedir piedade
senhor, piedade
pra essa gente careta e covarde
vamos pedir piedade
senhor, piedade
lhes dê grandeza e um pouco de coragem

domingo, março 11

schadenfreude

enquanto o coirmão amontoa derrotas e resultadinhos pífios, seja com que fauna escorregue em campo, o glorioso tricolor desnorteia adversários e invejosos, seja com que guerreiros passeie entre as quatro linhas.

e era uma vez um saci que se gavava de haver conquistado o mundo, mas não sabia cuidar do próprio quintal. quaquaquac!

quinta-feira, março 8

fim de affair

amiga persephone, é como quando a gente tem seis anos e os grandões querem nos tirar as rodinhas auxiliares da bicicleta:

- não ainda, não vai dar, eu vou cair!

mas te distraem e sacam o baita apoio. é aí que o milagre acontece: a gente não só consegue se equilibrar, como ainda acha o máximo aquela sensação de liberdade - e não entende como pôde viver tanto tempo sem ela.

capice, guria? então te anima e gasta a bunda no teu selim novo, que só quem desiste de pedalar no meio do caminho é que acaba se estabacando mesmo.

sem penso

subi a serra pra afinar o briefing de um cliente (fabricante de matéria plástica, diria a vó milinha) e me deu uma vontade danada de ser operária, móde só ficar encaixando pecinhas, sem depender dos miolos pra ganhar a vida.

oh, quão belos podem ser uma extrusora novinha em folha, um torno reluzente, uma poderosa prensa!

quinta-feira, março 1

a inguinorânça violentou o verde

ai, que vergonha eu sinto pelos ecochatos habitantes do centro da sorridente capital. uma causa tão nobre, como é a preocupação ambiental, merecia defensores mais esclarecidinhos. tsc, tsc, tsc...

excessos

depois de um dia difícil, ligou a tevê pra se esquecer da vida e exagerou: o coração parou no primeiro intervalo da novela das oito.

domingo, fevereiro 25

ah, manezinhos!

laguna/sc, verão de 2007, lanchonete de posto de gasolina na BR 101:

- um pastel de camarão, por favor.

minutos depois:

- moço, este pastel tá quase oco. se eu quiser comer um com o dobro de recheio, como eu faço? pago dois?
- ah, aí a senhora tem que pedir o pashtel mishto de camarão com camarão, nãotem?


sotaque típico d'além-mampituba, naquela lógica bem à moda dos nossos notáveis antepassados ultramarinos.

(gracias à fonte e personagem deste episódio adorável, uma misteriosa dona de casa tailandesa, de irreprimível natureza epicurista, reverenciadíssima por suas experimentações culinárias inspiradas nos sabores dos quatro cantos do planeta.)

segunda-feira, fevereiro 19

bifê de vagem

* obscena a campanha do glorioso tricolor em 2007, tanto no gauchão como na libertadores. grandes triunfos insinuam-se. e eu vou ver tudinho com minha carteira de sócia-torcedora!

* talvez porque tenha rolado no sábado, antes do habitual arraso carioca, o desfile principal do clonado carnaval porto-alegrense até que não foi de todo constrangedor. nunca pensei, mas achei muito digna a tinga-teu-povo-te-ama, sas?

* na cidade maravilhosa, a óbvia estação primeira de mangueira e a unidos do viradouro encheram meus olhinhos de encantamento. hoje tem mais.

* vêm da oceania, e dos ares, duas das mais impressionantes histórias deste início de ano. é em ocasiões assim que eu, que duvido da existência divina, mas acredito firmemente em inteligência extraterrestre, ponho-me a matutar se, de fato, entre nós, humanos, vivem criaturas híbridas - e megapoderosas. ou só sobrenaturalmente sortudas.

quinta-feira, fevereiro 15

a triste sina dos remotos irmãos borne

ando relapsa, já admiti, mas é por uma causa nobre: tenho trabalhado como um jegue no interior do piauí pra garantir a royal canin do quincas e da minoca. nada de ócio criativo neste meu corpinho alvo e carnudo.

como hoje foi a primeira vez, em duas semanas, que sobraram uns minutinhos de vagabundaaage no fim do dia, corri pra cá móde contar uma historinha que lembrei mais cedo, pouco antes de uma reunião maluca, quando pintou o assunto nomes - troço que, especialmente no caso das gentes, sempre rende bons causos.

pois a família do meu pai fez-se pródiga em castigar a descendência. se comigo e com mia fratella mamã bateu pé, e - ufa! - venceram prenomes dignos e elegantes, os filhos dos meus bisavós borne não tiveram a mesma sorte: três deles carregavam (sim, um nome bizarro, sabe-se, tem todo potencial pra virar um contêiner no lombo pela vida afora) nomes de planetas. tinha a tia vênus, o tio urano e o tio júpiter...

quiçá arrependidos da suprema maldade, lá pelas tantas os pais dos infelizinhos deram pra trás nas homenagens ao sistema solar e resolveram poupar o quarto rebento (que viria a ser meu avô) das inevitáveis piadas interestelares. mas outras chacotas estavam reservadas: como bizarria é qual tatuagem, eles conseguiram batizar o coitado de... nair! arram, na-ir! pior: nair henrique, pros gozadores jamais caçoarem da macheza do pobre. porque se fosse plutão, dá pra imaginar o tamanho do estrago... e hoje vovô não teria mais nem o charme de ser planeta. coisa mais triste.

terça-feira, fevereiro 6

1997 foi um ano marvado que levou também o paulo francis



móde menagear o ex-trotskista trashmalucão, clipe da hilária paulo francis vai pro céu, banda made in pernambuco e que (nomes que condicionam destinos...) morreu cedo, bem igualzinho ao sujeito do post abaixo. tosqueira é apelido, fio! waaaaaaal!

(antes de irem pro céu, os caras da pfvpc tiveram uma pedrada, eu queria morar em beverly hills, gravada pelo wander wildner. a letra é tão sem-noção que eu tenho vergonha de postar... procurem por sua conta e risco, destemidos leitores.)

memória do mangue



atrasadinha pra não esquecer o chico science, baita revolucionário, um acepipe dos tempos em que o ministro tragava, e cantava fantasiado de espermatozóide batik - ou bóia-fria de longuinho (maldade...).

segunda-feira, fevereiro 5

por ser uma menina má

ando negligente com os legumes. é que tem muita vida na minha cousa e eu tô correndo qual queniano, sem tempo pra caraminholar, postar, navegar, postar, ver, postar, ouvir, postar, ler, postar.

daquiapoco tudo se acomoda, eu sei. mas, até lá, preciso confessar que me brota uma culpinha fina por deixar meu minifundiozinho assim, sem a planta nossa de cada dia. e, cá pra nós, como a pessoa gosta de cultivar uma culpa fresca, né, hein?

então, pra mitigar o sofrimento d'alma, um pouco de psychobilly desencanado com os pais da matéria, os depravados lux interior e poison ivy. divirtam-se, danadinhos!

quarta-feira, janeiro 31

balada do homem humilde

o que espera o homem humilde sentado à beira do lago turvo? ele está sério e imóvel. o homem humilde parece impaciente. ao seu lado, repousam, enfileirados, um cachorro desnutrido, uma garrafa quase vazia, um saco amarrotado de papel pardo, três tocos de cigarro e um par de sapatos marrom.

o homem humilde olha para a frente, mirando um horizonte que não lhe pertence, como lhe pertencem o cão, a garrafa, o saco, as baganas e os sapatos. ele abraça os joelhos e deixa que a cabeça de cabelos sebentos caia por sobre os braços cruzados, apoiando neles o queixo. o cachorro imita o gesto à sua maneira, deitando-se sobre as patas posteriores e acomodando a cabeça magra sobre as patas dianteiras esticadas adiante do corpo.

o homem humilde está sério e imóvel. ele parece impaciente. o que espera o homem humilde diante do lago turvo? ele levanta a cabeça, cruza os braços sobre o peito e estira as pernas na direção da água. o cachorro se ergue sobre as patas dianteiras e mantém as traseiras coladas ao chão empoeirado.

o homem humilde agora apanha a garrafa com o braço esquerdo. leva-a à boca quase sem dentes e sorve o último gole do conhaque cor-de-pôr-do-sol. de súbito, levanta-se e é novamente acompanhado pelo cão, que se espreguiça com um grunhido agudo. em pé, mantém o olhar fixo no horizonte que não é seu, enquanto o cachorro o espia. o homem humilde está sério e imóvel. ele parece impaciente. o que espera o homem humilde diante do lago turvo?

ele dá um passo para trás e mais outro. o cão agora balança o rabo pelado. o homem humilde se agacha e junta duas pedrinhas pequenas, que atira no lago, uma após a outra. observa os círculos na água e cata mais duas, agora maiores. mas não repete o lançamento, guardando-as no bolso direito da calça cinza encardida. escolhe outras três, também grandes, e mete-as no bolso esquerdo.

de dentro do saco de papel amarrotado, tira uma sacola plástica; dela, uma cabeça depenada de galinha, com que acena para o cachorro para, em seguida, jogá-la no sentido oposto ao lago. o cão fareja o ar e dispara em busca do presente. o homem humilde volta-se de novo para o horizonte. o homem humilde está sério e imóvel. ele parece impaciente. o que espera o homem humilde diante do lago turvo?

o homem humilde lamenta não ter mais fósforos para acender as últimas baganas. ele não olha para trás enquanto calça os sapatos e vai entrando devagar na água. agora, só enxerga o horizonte que não lhe pertence. cada vez mais fundo, lá vai o homem humilde, ao mesmo tempo em que o cachorro sacode o pescoço da galinha no ar. o homem humilde afunda sem pressa e nunca mais volta. o homem humilde esperava a desesperança.

o outro lado da tristeza

as misses estão de luto.
os leitores de final de semana choram sem medida.
os fãs das tramas baratas soluçam pelos cantos.
os medíocres estão inconsoláveis.
os imberbes e os incultos fungam e encharcam lenços.
os consumidores da literatura raquítica devoram estoques inteiros de lexotan.
mas os sábios, ah!, os sábios, estes respiram aliviados: o imperador da leitura bastantão bateu as botas. vida longa à consistência!

terça-feira, janeiro 30

casa, comida e liberdade

no sítio, a elena pendurou um monte de casinhas pros passarinhos se achegarem quando precisam de abrigo. tem uns porongos ocos com palhinha dentro, além de minicondomínios pros voadeiros. tem também reservatórios de água e de alpiste, tudo suspenso em lugares acessíveis, na rota de pouso dos pequenos penosos. pra usufruir da hospedaria e da comilança, eles só precisam superar o medo dos dois pretossauros que guardam o paraíso. diante da tentação, a maioria é corajosa e nem dá bola pras bocarras descomunais. se eles soubessem de quantos marrecos e galinhas, entre outros vertebrados, a dupla já deu cabo...

também descubro que foi-se o tempo em que, pra atrair beija-flores, o povo usava aquela agüinha açucarada artesanal. nanananana! agora existe néctar industrializado e, diz o fabricante, nutricionalmente balanceado pra garantir o frenético bater d'asas. é só diluir um pozinho colorido na água, encher uma ampola gigante que tem na base umas florezonas espalhafatosas e esperar a farra. eu vi um colibri sair pesado depois de uma refeição que durou bem uns cinco minutos: metia o bico pontudo no miolo de cada uma das quatro flores e sugava longa e vigorosamente a bebida cor-de-maravilha; fez assim até se empanturrar da doçura. pelo tanto que bebeu, deve ter ido direto pra uma sessão do aa. guloso, mas livre, como deveria viver toda passarada.

o melhor amigo da vagem

da janela

lá tô eu, vêde?, dando oizinho pro mundo.

(mia fratella, o título do post é pra ti).